Chegar aos 50 é um exercício silencioso de balanço. Não daqueles feitos por planilhas ou checklists, mas por lembranças, marcas do tempo, menos "porquês" e mais "para quês". Passamos para o segundo tempo da existência. O corpo dá sinais de que precisa de outro ritmo aos passos, a cabeça aprende a escolher melhor por onde pisar e o tempo passa a ser valioso a cada pausa.
Neste momento em que completo 50 anos, o OPA também chega aos 50. E essa coincidência, longe de ser apenas numérica, carrega uma simbologia que me convida à reflexão. Porque o OPA atravessou gerações, realizou inúmeros projetos, atraiu pessoas que, como eu, amadureceram, erraram, acertaram, se afastaram, voltaram e seguem eternizando o orar pela arte por meio dos encontros, sejam eles religiosos, de amigos ou do acaso.
Os primeiros 50 anos de uma vida costumam ser dedicados à construção de identidade, valores e caminhos. Aprende-se fazendo, muitas vezes tropeçando ou batendo no poste em alta velocidade. Aos 50, as escolhas se tornam mais compreensíveis e o essencial mais visível. Você não anda com menos velocidade, aprende a desviar do poste, e novos projetos surgem um pouco mais ajustados ao caminhar.
Com o OPA não parece ser diferente. Como registramos em nosso livro, foram décadas de histórias, de encontros, de desafios enfrentados coletivamente, pandemias, adaptações a tempos que mudaram sem pedir permissão, apesar de sempre previsíveis aos olhos do nosso fundador.
Ao se completar meio século, se carrega o passado numa espécie de responsabilidade com o futuro. Não se trata mais de provar quem se é, mas de honrar o que se construiu e decidir com mais consciência para onde se quer ir. E se errar, o retorno é visto com menos nebulosidade.
Os 50 não são um ponto final, são uma vírgula. Um momento em que a experiência deixa de ser peso, passa a ser guia e te dá mais coragem, com um pouco mais de cara de pau. Em que a memória não serve apenas para prender, mas para orientar e eternizar.
O OPA chega a essa idade sabendo que ainda há muito o que aprender, mas com a serenidade de quem sabe de onde veio e um carisma a preservar. Algo que foi construído com muito estudo, oração, empenho e uma dose de genialidade. Talvez seja isso que os 50 nos ensinem: que amadurecer não é endurecer, mas aprofundar e reinventar. É seguir em frente com menos pressa e mais propósito, e celebrar, juntos, o privilégio de continuar.