OPA – Oração Pela Arte

O que é o OPA?

O Grupo OPA — Oração Pela Arte — é um movimento de espiritualidade e arte fundado em 1978 pelo Padre Casimiro Irala, SJ. Nascido de uma intuição simples e profunda: a arte pode ser caminho de oração, e a oração pode florescer em arte.

Músicos, poetas, dançarinos, pintores, atores, fotógrafos, comunicadores… Gente de diversas atividades e idades  se reúnem sob o mesmo teto — não para fazer espetáculo, mas para rezar e servir. O OPA não é uma escola de artes nem uma produtora cultural: é uma comunidade de pessoas que usam seus talentos para se ligarem a Deus e oferecer seus dons a todos.

Ideário do OPA

Padre Irala, em 14/02/1978, Itaici, SP - 1° Encontro Nacional do OPA
Colaborou: Marta Almeida
 

Constituímos uma corrente, um grupo de pessoas com o mesmo ideal,
as mesmas aspirações, que nos ajudam a ser melhores,
e nosso nome já foi geração 80, 90, 2000… e assim seguimos para as gerações futuras.

Não temos a intenção de ser uma nova congregação, nem uma nova organização.
Trabalhamos juntos porque somos amigos,
e pertencemos a Jesus Cristo, o fundador da Igreja Católica.

Obedecemos às nossas autoridades religiosas,
bem como às autoridades constituídas do pais,
como cristãos e cidadãos comuns.

Não temos lugar de reunião, não temos CNPJ, CPF…
não temos presidente, não temos outro estatuto senão o Evangelho
e algumas idéias de amigos que se tornaram nossas,
porque as assumimos.

Queremos ajudar uns aos outros para sermos melhores.

Queremos motivar e expandir o espírito criativo.
Queremos integrar nossa criatividade para servir ao ser humano.
Queremos comunicar com a característica da comunicação de Deus,
que é a Graça; queremos dar de graça o que de graça recebemos.

Queremos nos reunir de vez em quando,
para conversar longamente e contar nossas histórias.
Queremos ter Deus como finalidade,
já que o temos como ponto de partida.
Queremos orar e ajudar os outros a orar.
Não temos livros de oração obrigatórios,
mas amamos a natureza como um grande livro.
Amamos a bíblia, os salmos, as canções modernas e antigas,
tudo o que nos ajuda a rezar.

Não temos mais dogmas do que os que já existem
e todos os cristãos aceitam.
Sabemos que o ser humano, quando encontra Deus, muda,
e queremos que nosso mundo mude. Para melhor.

Se nos deixarem ajudar, ajudaremos a construir um mundo novo.
Quando não pudermos fazer nada disso,
fazemos questão de não comprar briga
e de não atrapalhar a vida de ninguém.
No possível, evitamos entrar em eventos competitivos,
ou coisas que levem à briga.

Acreditamos no ser humano porque Cristo acreditou.

Desejamos que o fruto dos nossos esforços seja a paz.

Paz nos corações,
paz universal,
paz cósmica
e que Deus seja tudo em todos.

Pe. Casimiro Irala — o fundador

Casimiro Abdón Irala Arguello, conhecido como Padre Irala, nasceu em 4 de março de 1936, em Assunção, Paraguai. Criado em um ambiente simples e cercado pela natureza, herdou o dom musical de seu pai, um ex-combatente da Guerra do Chaco. Em 1956, ingressou no noviciado da Companhia de Jesus e, após uma longa formação em artes, psicologia e teologia por cinco países da América Latina, foi ordenado sacerdote jesuíta em dezembro de 1968.

Seu trabalho revolucionou a Igreja Católica ao fundir espiritualidade e expressão artística, sendo um dos pioneiros no uso do violão e da linguagem corporal na liturgia pós-Concílio Vaticano II. É o criador da célebre melodia da "Oração de São Francisco", canção que rompeu barreiras religiosas e foi gravada por grandes nomes da MPB. Em 1970, fundou o Treinamento de Liderança Musical (TLM) ao lado do Padre Haroldo Rahm. Anos depois, em setembro de 1976, em Salvador (BA), fundou o OPA (Oração Pela Arte), uma metodologia que integra todas as artes como ferramenta de oração e formação permanente. O movimento expandiu-se internacionalmente e ainda em vida lançou os fundamento para a continuidade do OPA também em outra forma: Encontros de Catequese Oração e Arte), focado na catequese criativa no âmbito familiar.

Seus livros “O porquê do Sucesso”e Igreja Ficção, ambos lançados pela Edições Loyola, ainda nos anos 1970,  são obras muito a frente de seu tempo. Ao lado de nomes como Pe. Zezinho, Pe. Haroldo Rahm, SJ  seu carisma artístico ganhou forma que resultou na criação do OPA, Oração pela Arte.
 

"Sou Católico"

O OPA não é um movimento fechado. É aberto a todo aquele que, independentemente de sua linguagem artística, deseja colocar sua arte a serviço da evangelização e da comunidade. A única exigência é a disponibilidade de coração: dar de graça o que de graça se recebeu.

SOU CATÓLICO
(Pe. Irala - São Paulo, 17 de maio de 1997)
 

Católico significa universal, que abraça o mundo.
Todas as pessoas que buscam Deus no mundo inteiro,
eu as abraço porque sou católico.
E se vierem a mim eu as recebo.
Tento compreendê-las, porque sou católico.
Tento ajudá-las em seus problemas, porque sou católico.
As abraço, sem discutir religião,

sem criar nenhum tipo de “guerra religiosa”
porque sou católico.
Toda pessoa que colabora para o bem comum é minha amiga
e eu a abraço porque sou católico.
Todas as religiões, enquanto não tentam me obrigar sem me convencer,
tem direito ao meu apreço, à minha estima, porque sou católico.
Faço questão de fazer sempre o bem,
sem olhar a quem, porque sou católico.
E não estou todo dia tentando convencer outros
a participarem dos meus cultos,

das minhas devoções porque sou católico.
Aos que se proclamam de religião católica, eu os trato como irmãos
e faço o possível para que se sintam bem comigo,
na Igreja, no trabalho, na convivência.
Não sou fanático, mas sempre estou disponível para ajudar,
porque sou católico.
Sei que quanto melhor for o clima dentro da nossa própria Igreja,
mais fácil será conservar aqueles, que por qualquer motivo,

estão mais afastados da prática religiosa.
Não condeno ninguém, já que Cristo não veio
para condenar e sim para salvar.
Não promovo cruzadas de nenhuma espécie
que signifiquem dominar a consciência dos outros pela força ou poder.
Como católico, compreendo que devo pedir perdão
por quantas vezes eu e meus irmãos e irmãs já fizemos isto.
Não confio na ideia de primeiro tomar o poder
para depois fazer o bem, sendo que o bem
deve ser feito simplesmente, com ou sem poder.
Não sigo a linha fascista

de pensar que o mundo se divide em "Nós e os Outros".
Aceito o mundo plural como ele é tentando respeitar a todos,
e de todos tentando aprender alguma coisa, porque sou católico.

Quanto à discussões, trato de não colocar mais lenha na fogueira.
Tenho certeza de que em assuntos de religião,
de nada vale falar quando não há receptividade.
Ser Católico é para mim colocar no mundo
a Criatividade herdada de Deus Pai,
a Integração, como tarefa encomendada por Jesus
e a Gratuidade da Comunicação do Espírito Santo.
Tento não servir a ídolos, sejam estes poder, prazer ou quaisquer outros.
Entendendo que os ídolos modernos espiritualizaram-se todos,
se demonizando e diluindo no mare magnum
de uma incomensurável falta de sentido.
É para mim ser Católico, viver de fé com a convicção
do Apóstolo Paulo, e vivendo de fé e na fé,
amar Deus antes de tudo, o ser humano mais do que a Igreja,
as pessoas mais do que os projetos para elas feitos,
amando a mim mesmo e meus amigos
com a amplidão católica do mundo.

Vídeo 'O que é o OPA?'

OPA na RAI – Rede Apostólica Inaciana (2009)

Sinal da Cruz do OPA

OPA – Arte e Oração