Ao abrir a caixa de seu marido Prometeu, Pandora liberou as tragédias que assolam os homens. Apesar disso, a esperança, o sentimento que a chamava e clamava por liberdade, lá ficou e é o meio pelo qual se encontra força para seguir adiante, pois nos faz crer em um futuro melhor. Assim como a Caixa de Pandora, quando foi aberta pelos filósofos e cientistas renascentistas, a ciência liberou inúmeras criações e possibilidades, que ora podem ser destinadas para causar as mais graves mazelas aos humanos, e, ora é a própria esperança travestida de tecnologia. Tal fato pode ser compreendido ao lembrarmos de episódios de guerra: os aviões criados por Santos Dumont para unir pessoas e encurtar distâncias foram também aqueles a bombardearem nações, destruírem cidades e dizimarem famílias. Apesar disso, acreditamos na ciência para construir um meio sustentável, harmônico, onde seres humanos haverão de ter sua dignidade contemplada e todas as suas necessidades básicas respeitadas. É através da ciência, de pesquisas e tecnologia de ponta que já mapeamos o genoma humano e salvamos diariamente milhares de pessoas; é também através da ciência que conseguimos manipular alimentos e, deste modo, reduzir a fome; aumentamos a expectativa de vida devido aos avanços da medicina; iremos à Marte, fomos à lua e desbravaremos os céus nunca d'antes conhecidos de Ícaro. Apenas a ciência aliada à ética é capaz de promover mudanças e progresso em prol do homem, e, são por essas mudanças que temos fé, temos esperança. Esta é, como dizia Mário Quintana "um urubu pintado de verde", o que ainda vive e pulsa na Caixa de Pandora.